Cresce a aceitação de artigos eróticos!!!

05/09/2010 07:48

 

 






 

Cresce a aceitação de artigos eróticos

 
                                                                                    
    
 
 

Casais procuram por diversos produtos em sex shops para apimentar a relação sexual

De lingeries ousadas...

às algemas. Público tem a disposição variados artigos para melhorar a relação sexual

Nos últimos dez anos, o comportamento da sociedade em relação ao comércio de produtos eróticos mudou radicalmente. Em 1997, na primeira edição da Erótika Fair – maior feira do setor no país – as vendas totalizaram em apenas 300 mil reais. Uma década depois, foi registrada a marca de 700 milhões de reais, o que comprova a verdadeira expansão do setor.

 

A curiosidade atinge tanto jovens quanto adultos, entre 20 e 60 anos. As mulheres são as maiores consumidoras no mercado erótico e os produtos mais vendidos são os cosméticos (óleos de massagens, produtos que esquentam ou esfriam as partes íntimas, aromas, entre outros). Já com relação aos homens, a faixa etária é a partir dos 30 anos. Para a psicóloga e terapeuta sexual Fátima Protti, o aumento da procura num público tão variado ocorre porque sexo, hoje em dia, é vivido com maior liberdade e não existe mais a ideia restrita de procriação como nos séculos anteriores. Ela explica que cada vez mais as pessoas procuram experimentar as novidades acerca do que a relação sexual pode lhes oferecer. “Os recursos sexuais que estimulam nossos pontos sensoriais promovem maior prazer durante a relação a dois. Por isso tantas pessoas buscam os famosos sex shops”.

 

Porém, mesmo que ao longo dos anos o mercado erótico tenha sido aceito por grande parte da população, ainda existem muitas pessoas que discriminam quem usa tais artigos. Segundo a terapeuta, isso acontece porque ouvir e falar sobre sexo ainda causam certo constrangimento. Inclusive o bombardeamento de informações e assuntos relacionados ao sexo causa incômodo e indignação a muitas pessoas. “Disto podem resultar piadas como forma de aliviar a tensão causada pelo assunto”, afirma. Mas, segundo Protti, o ato de discriminar também pode ocorrer como uma tentativa de evitar qualquer possibilidade de julgamento ou crítica. “A discriminação pode ser uma maneira de despistar qualquer ideia de que ele também faz o mesmo e já usou (ou usa) recursos sexuais”.

 

Vários motivos levam a aquisição de produtos eróticos, desde algo diferente para “apimentar” a relação até algo para estimular a criatividade e avivar fantasias. Também a insatisfação com o parceiro e a falta de autoconfiança podem ser as causas da procura. No entanto, quando o descontentamento está na relação pessoal do casal e não apenas na falta de criatividade nos momentos íntimos, os artigos eróticos de nada valem. “Se houver insatisfação na relação pessoal, o casal percebe que os recursos sexuais não são suficientes para evitá-la”, afirma. Quanto a autoconfiança, Protti acredita que artigos eróticos podem ajudar em alguns casos. “Uma peça diferenciada de lingerie ou um adereço, por exemplo, podem fazer com que quem usa se sinta mais atraente”, diz. Contudo, se a autoestima estiver muito baixa, não há nada que possa ser feito nesse sentido, uma vez que um adereço não vai mudar o que a pessoa está sentindo em dado momento.

Enquanto isso, dentro dos sex shops

Se pessoas que entram em sex shops apenas para comprar já sofrem certa discriminação, pode-se pensar que quem trabalha nesses lugares também sofre preconceito.Não é o caso da atendente Érica Aparecida, 19 anos. Segundo ela, o fato de começar a trabalhar em um sex shop não foi nada difícil. Ela, que já trabalhou em comércio, comenta que o diferencial em trabalhar numa loja assim é o bom humor dos consumidores. “As pessoas que entram em sex shops estão sempre bem humoradas, sorrindo. Isso anima a gente a trabalhar”. Também comenta que não sofreu qualquer preconceito. “Todo mundo gostou da ideia e aprovaram a minha decisão”.

 

Da mesma forma, para o proprietário de sex shop Luis Henrique Damin, 22 anos, não houve discriminação. “Claro que alguns amigos sempre tiram um ‘sarrinho’, mas nada demais. Todos me apoiaram”, afirma. O proprietário considera que trabalhar neste setor é muito bom, pois ele se diverte com os consumidores e suas expressões. Damin comenta que os clientes do sexshop agem normalmente na hora da compra, como em outra loja, sem qualquer traço de timidez. “Inclusive no momento de pagar, até choram querendo uma descontinho”, comenta.

 

Já para os que entram pela primeira vez em um sexshops, a sensação não é das melhores. “Eles entram olhando para o chão, muito tímidos, quase nem conseguem pedir o que querem. Quando entram apenas para ‘dar uma olhadinha’ são discretos e saem rapidamente, porém sempre voltam depois”, comenta Aparecida. Geralmente, as pessoas começam a frequentar lojas de artigos eróticos por indicação de amigos ou por um pedido do parceiro. Os produtos mais procurados são os óleos e cremes que proporcionam sensações ao casal.

 

Há quem acredite que pessoas que frequentam sex shop são as mesmas que vão a motéis, saunas ou cines-privê, porém não é isso o que ocorre. Os indivíduos podem passar todos os locais ou apenas um em especial, não existe uma regra. “Acredito que cada segmento tem sua população específica segundo os interesses e necessidades”, encerra.