A Fantasia de Domínio e Submissão!!!

18/08/2010 11:55

 

Faz um tempo quero abordar este assunto, nunca sei exatamente como, não sem tirar um pouco do glamour da fantasia. Como esta semana muito se falou por aqui de sadomasoquismo, resolvi falar do assunto. Dominadores e submissos no sexo. Pessoas que tem prazer em comandar ou obedecer. Acho impossível falar deste assunto sem falar um pouco da minha história pessoal.

Sou uma mulher meiga, doce e educada. O timbre de voz é sempre delicado e amistoso. Não sou invasiva. Tenho por princípio resolver o que puder com diplomacia, nunca aos gritos e força bruta, apesar de ter um tipo físico que impõe respeito. No trabalho, prefiro um ambiente colaborativo à competição. Prefiro propor e nunca impor. No entanto, apesar de tudo isso, sexualmente, e só sexualmente tenho necessidade do controle. Me excita a fantasia de controlar o outro durante o sexo.

Em minha fantasia, quanto mais forte é o outro fora da cama, quanto mais imperativa é a sua profissão, se ocupa cargo de chefia, se comanda uma empresa, se é extremamente inteligente, estas coisas… Quanto mais o outro é, mais prazer eu sinto no jogo de Domínio e submissão. Este jogo de Castigadora e castigado,Dominadora e dominado dentro de um contexto consensual. Não faço a menor questão deste posicionamento fora da cama, mas na cama isso me excita e muito.

Tenho amigas que são o meu oposto. Na vida tem atitudes extremamente controladoras, impositivas, tem necessidade do controle da casa, do trabalho, dos filhos, do marido, mas… Na cama necessitam ser “jogadas à parede e chamadas de lagartixa”, só pra usar uma expressão que uma delas já me disse um dia.

Para este tipo de mulher, a fantasia de Domínio e submissão é completamente inversa à minha. Na cama é o único momento em que elas não querem estar no controle. Não verdade nem é querer, é precisar não estar no controle. O prazer da entrega está justamente no ato de por um instante, não ter que controlar, também, o próprio prazer. Acredito que o mesmo valha para submissos do sexo masculino.

No blog Literatices Eróticas tem um post muito interessante chamado Ela disse – Ele disse. Nest post a mulher escreve sob o ponto de vista masculino e o homem sob o ponto de vista feminino. Duas visões do mesmo tema, apresentados de maneira inversa. Em Domínio e submissão acredito que a inversão de papéis dentro do jogo é o ponto forte.

Quando no começo do texto disse que sempre guardei um pouco de reserva em comentar minha opinião real sobre o assunto para não tirar o glamour da fantasia, é porque pra mim, Dominadores e submissos na fantasia SM (sadomasoquista) não são nada mais do que duas faces de uma mesma moeda. Somos todos masoquistas. Uns fantasiando controlar, outros fantasiando obedecer. Não existe sádico real na fantasia de Domínio e submissão.

O sádico da vida real é quase um psicopata que não está nem um pouco interessado com o prazer do outro. São os torturadores físicos e psicológicos que se escondem atrás de papéis socialmente adequados. Pais e mães opressores, professores e policiais abusivos, maridos e esposas controladores… Este tipo de pessoa não tem prazer sexual, mas tem prazer. E muitas vezes só este prazer já o satisfaz.

Talvez por este motivo, por ter esta percepção tão apurada. Eu realmente não faça a menor questão de me auto-denominar uma Dominadora. Talvez por isso, fora do jogo eu não me preocupe em exercer um papel Dominante. Tenho consciência que é uma fantasia. Fantasia aliás que só vai adiante se o outro compartilha também. Essa inversão é quase uma terapia. Uma catarse. E se a gente esbarra com a outra face da moeda, ouso dizer que é quase impossível desvencilhar-se de todo. Ainda que a vida eventualmente separe.

Termino o post indicando dois filmes: Venus in Furs e Secretary. O primeiro baseado na obra de Sacher-Masoch (vocês entenderão bem porque digo que somos todos masoquistas) e o segundo uma comédia romântica SM. Em ambos é possível perceber a influencia manipuladora do submisso e o prazer megalomaníaco do Dominante. Acredito, no auge da minha visão romântica, que é possível unir o SM e uma vida normal em uma só relação, mas isso já é assunto para outro post.