o código dos íntimos

02/10/2010 08:34

ntimidade exige boa comunicação, diz a psicanalista Débora Piva, de Porto Alegre. Mas é muito comum que, na falta de ambas, a gente acuse o parceiro de estar distante, fechado, frio. O problema é que essa atitude só aumenta a distância – o acusador acha que o problema é do seu par e fica apontando falhas “de fora”. O dicionário Aurélio não deixa dúvida: íntimo é aquele que está dentro, que atua no interior. Se isso se rompe, o silêncio começa a pesar. Não se trata mais de uma quietude confortável, mas de mágoa, indiferença ou pura falta de interesse nas histórias do companheiro, o que é mortal.


De acordo com o psicanalista José Outeiral, a dificuldade de comunicação é problema na certa – não são só as palavras que se calam, o código secreto de olhares e toques dos antigos amantes se desativa. Quando um não tem mais nada a dizer para o outro, a intimidade acabou. O casal pode continuar na mesma casa, mas algo precioso se perdeu ali. Pode notar: os casais íntimos se comunicam de um modo particular. Para o advogado Lúcio Pinto Ribeiro e a designer de joias e empresária Cláudia Sperb, ambos com 44 anos e 17 de convivência – dez anos de namoro e sete de casamento –, essa linguagem é feita de olhares insinuantes e dialetos engraçados. Segundo Cláudia, as viagens de carro que fazem juntos são ótimas para treinar o idioma. “Conversamos muito, confessamos medos, desejos e alegrias, nos cobrimos de elogios e, às vezes, ficamos calados, curtindo o silêncio.” Mas o cotidiano também é decisivo na construção de um repertório comum. Para ela, intimidade é não ter vergonha e, depois de um dia estafante, poder se esparramar ao lado do marido assistindo aos programas do canal Animal Planet e devorando uma caixa de Bis. “É dividir momentos únicos, que não poderiam ser compartilhados com mais ninguém. Calorias? Nossa, é só um biscoitinho inocente, nada que um sexo animal depois não resolva!”, brinca.