Sexo, Amor, Endorfinas & Bobagens!!!
14/08/2010 11:05
Quando o assunto é sexo, todo mundo é um pouco especialista. Mas para desvendar os mistérios que existem entre o céu e a terra da testosterona, só mesmo com muito estudo.
É o caso da médica Cibele Fabichak, autora do livro "Sexo, Amor, Endorfinas & Bobagens" (Ed. Novo Século). Na obra, ela comprova, por meio de pesquisas científicas, a relação entre hormônios e fidelidade, explica porque os ‘inteligentes’ às vezes caem no conto e se apaixonam pelas pessoas erradas e até calcula quanto tempo dura a paixão.
Segundo ela, a ciência explica até porque os apaixonados são mais criativos.
Fisiologista e especialista em sexualidade humana, ela conversou com o Vila Dois e contou que a nossa percepção pode ser facilmente distorcida quando se está experimentando fortes emoções, como é o caso da paixão. E isso faz mesmo com que a gente acredite que encontrou a pessoa certa - mesmo quando ela não é. Então, nada de se culpar, ok? A ciência explica tudo!
O que, basicamente, leva uma pessoa a se interessar por outra?
Vários ingredientes fazem parte do jogo da atração e interesse romântico: a idealização, as experiências an¬teriores, o momento atual de vida, o tipo de educação recebida na infância, o grau de relacionamento com os pais, o intelecto, o status social, tipo de personalidade, além do charme e de um sorriso que sinaliza "vá em frente". A beleza, a juventude, os hormônios, o cérebro e a genética também fazem parte do jogo da sedução. Aliás, um dos primeiros gatilhos que dispara o interesse pelo outro se dá por meio de sinais verbais e não verbais que são emitidos e captados continuamente, muitas vezes inconscientemente.
Por que pessoas inteligentes entram em relacionamentos errados?
As intensas alterações químicas que acontecem no cérebro e no corpo das pessoas quando elas se apaixonam independe de um controle voluntário e racional. A inteligência não tem o "poder de afetar ou controlar" as respostas hormonais e comportamentais geradas a partir do momento que o cérebro "identificou" no escolhido sua grande fonte de prazer.
Mas o cérebro pode se enganar?
Quando as endorfinas (um tipo de opióide), a dopamina, a noradrenalina, a oxitocina, dentre outras substâncias, são produzidas pelo cérebro em grandes quantidades na paixão, se faz uma associação entre a pessoa escolhida e os prazerosos sentimentos que surgem dessa conexão. O cérebro engana e cria então uma percepção irreal do outro, em que defeitos não existem, o medo do desconhecido é drasticamente reduzido e os critérios de avaliação racional do parceiro estão muito diminuídos. Daí, a possibilidade dos apaixonados em cometer equívocos é muito grande.
Quanto tempo dura a paixão?
A ciência tem comprovado através de estudos que mapeiam o cérebro que existe um período preciso para o estado mental alterado da paixão: entre 18 e 48 meses. A média está em dois anos. Do ponto de vista biológico, a paixão foi a forma que a natureza encontrou para aproximar e unir de maneira prazerosa dois seres humanos para a pro¬criação.
Por que estrógenos em excesso podem levar a mulher à infidelidade?
Pesquisas têm comprovado também que alguns dos motivos que levam à traição na mulher podem ser mais "químicos" do que, simplesmente, a solidão, a falta de valorização, romance e comunicação com o parceiro, ou até a baixa auto-estima e o tédio da vida cotidiana. Os estrógenos podem ter sua parcela de responsabilidade. A psicóloga Kristina Durante, da Universidade do Texas (EUA) analisou o comportamento afetivo e os níveis de estradiol de 52 mulheres universitárias durante a ovulação e no período da menstruação. As mulheres que apresentaram níveis mais elevados de estrógenos relataram mais paqueras e casos com outros parceiros, além dos fixos. Por outro lado, tais mulheres tiveram relacionamentos mais duradouros, sem ter predileção por "ficadas" ou por sexo casual. Suas buscas pelo parceiro ideal, o "provedor bom de genes", provavelmente as faz ter um número maior de parceiros de longo prazo em série pela vida, em detrimento às aventuras passageiras.
Os apaixonados são mais criativos mesmo?