Sexo? Um nojo!

26/09/2010 10:20

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Sexo por Marcelo Rubens Paiva

 

Sexo?

Urght! Coisa suja, nojenta, imprópria.

Qual é?!

Um homem, uma mulher, homem com homem, mulher com mulher, se esfregando como bichos, um tentando enfiar membros pontiagudos no outro, furando a carne, trocando fluidos anti-higiênicos.

Começa com aquela língua molenga balançando na boca, como se procurasse um tesouro. E entre cuspes e restos de comida, fica a língua intrusa, pra cima e pra baixo, pro lado e pro outro, uma cobra sem rabo, chacoalhando, chacoalhando. Sente-se mau hálito de dentes escuros e o gosto de cigarro; e escorre filetes de uma escarro. Depois, a língua se arrasta pelo pescoço, lambuza a carne, xereta a orelha, e entra nela!! O que a merda daquela língua faz dentro da orelha?!

E fica gemendo, fazendo barulho, acordando os vizinhos, perturbando a ordem. Tira a roupa e a roupa se enrosca; uma calcinha mal lavada, fedida, jogada na cama. Vê-se a unha encravada, o pé mal lavado e a frieira incurável. Vê-se os abcessos na virilha, os hematomas na coxa, e sente-se o cheiro de peixaria no ar.

Vem pro abraço, com os braços se cruzando, se atrapalhando. Sobe no estômago, e me lembro do almoço pesado, e quase vomito; e seu brinco quase rasga meu rosto; e seu anel quase fura meu olho. O suor é forte, cheira mal. E tem aquela coisa toda molhada, nojenta, com pêlos que coçam, roçam, irritam. E faz uns barulhos desagradáveis que lembram a degola de um sapo, o atropelamento de um rato. E que merda a unha dela faz nas minhas costas?

A cama geme, prestes a desabar. Vejo suas grades se arrastarem contra a parede toda branca, recém-pintada, e vejo sulcos, agora se manchando. Subitamente, ela aperta o ritmo, fecha os olhos, e enfia novamente a língua na minha boca; agora quer o quê, lamber a parede do meu estômago? Sai pra lá!

Me desgrudo, prendo, com a mão, seu pescoço, alcanço, com a outra, o machado, e decepo a infeliz criatura. Agora com a paz, sem línguas intrusas, bocas mal lavadas, gemidos assustadores, com unhas imóveis, o corpo seco e frio, até que dá para se pensar no assunto.