Você gosta mais dele do que ele de você?

27/08/2010 22:50

 

Num, mundo ideal, a vida a dois deveria transcorrer como um bailado, em que os parceiros atuam de forma sincronizada. Na realidade, muitas vezes ela se torna uma disputa para ver quem é mais amado.

A dificuldade para expressar sentimentos, muito mais comum no homem do que na mulher, costuma gerar nela uma grande dose de vulnerabilidade, que, aliada a inseguranças pessoais, cria um constante questionamento sobre o amor que o parceiro sente por ela. E não é raro a mulher se sentir preterida em relação aos amigos e parentes do companheiro, principalmente a mãe dele. (Sogra é sempre sogra, e muitas não desistem de exercer o poder sobre o filho e competem com as esposas.)

A origem dessas disputas pode estar naquela inadequada forma de comportamento de pais que, ansiosos, perguntam aos filhos: “De quem vocês gostam mais, do papai ou da mamãe?” Angustiante para a criança e desastroso para quem pergunta, isso gera crenças inconscientes que, na vida adulta, voltam a se manifestar, sobretudo numa sociedade competitiva como a de hoje, que transformou o qualitativo em quantitativo – isto é, não importa o quê, e sim quanto! Mas o amor, por definição, é qualitativo – ama-se ou não. O que se pode mensurar é quanto uma pessoa é capaz de externar esse sentimento.

Geralmente, cabe à mulher, mais sensível e expressiva, deixar claro seu sentimento por meio de gestos e ações que o homem não consegue corresponder à altura. Não se trata, porém, de falta de amor, mas de falta de capacidade dele para revelar o que passa em seu coração. Poucos conseguem dizer um “eu te amo”, quanto mais corresponder às expectativas das mulheres de ser reconhecidas, admiradas, elogiadas.

 

 

 

Calor e calma

É bom lembrar que as manifestações evidentes de afeto são mais típicas da paixão do que do amor, pois a paixão é uma emoção e o amor é um sentimento. Nas emoções, que são de curta duração, os sinais de interesse são claros, como taquicardia, respiração ofegante, pensamento obsessivo e arroubos de atitudes. Os sentimentos, por sua vez, tendem a ser plácidos e duradouros, sem demonstrações exacerbadas. Portanto, homens e mulheres podem ficar inseguros quando a paixão arrefece – seja para terminar mesmo, seja para transformar-se em amor.

Além disso, se quisermos medir a presença do amor, devemos pôr o ciúme de lado. Diferentemente do que muitos acreditam, o ciúme não é prova de amor, e sim de possessividade. O problema é que, quando o homem deixa de demonstrar ciúme, a mulher tende a duvidar do amor dele. Então, se ela se ressente de algum distanciamento, é importante chamá-lo para conversar. Sim, homens detestam discutir a relação, mas é útil que as insatisfações de ambos sejam discutidas e corrigidas.

O ponto principal é não transformar essas conversas em brigas, mas manter um tom ameno, em que ela exponha seu desagrado e questione o que gerou o aparente afastamento. Será que ele está tão envolvido em seu trabalho ou em uma nova atividade que se esqueceu de manter acesa a chama do romance? Ou será que o amor acabou mesmo e essa história continua por inércia?

É preciso ter coragem para receber uma resposta frustrante e dolorosa, mas é mais saudável dar fim a uma relação do que viver um horror sem fim. Afinal, é possível que a percepção da mulher – de que deixou de ser amada – proceda. Nesse caso, será necessário elaborar o luto por esse amor que terminou e se recompor – para poder amar de novo, depois.

Porém, muitas vezes, o distanciamento do casal é temporário. Se você acredita que vale a pena lutar para reverter o jogo, é hora de tomar providências.

 

 

 

Segredos da reconquista

Amor não se pede nem se compra, se conquista. Não com cobranças ou ameaças, mas com aquelas técnicas de sedução tão conhecidas do público feminino. Sedução não significa submissão, mas a capacidade de voltar a ser atraente, pois muitas vezes acontece de, ao longo de um relacionamento, a mulher deixar de lado sua aparência, interesses e hábitos culturais. Com isso, o valor que você dá a si própria cai, gerando um círculo vicioso em que a baixa auto-estima leva ao descuido e o descuido diminui ainda mais a auto-estima.

Portanto, concentre-se em si mesma. Cuide-se e será cuidada. Procure tornar-se visível em vez de implorar para ser olhada. Não se curve perante os desejos do outro, desprezando a própria identidade. Senão, acabará sendo querida pelo que você não é, apenas aparenta ser. E isso resulta em mais insatisfação e infelicidade.

Seja fiel a si mesma e assim conquistará (ou reconquistará) o amor apagado pela convivência e a rotina. Corrija os desvios de percurso e volte-se para aquilo que sempre foi importante para vocês, aquilo que os atraiu no início. E procure entender o seu par, mergulhar na alma dele a fim de encontrar os motivos que desencadearam as situações que deseja mudar.

No verdadeiro amor, não há brigas, e sim discussões; não há desprezo, e sim desaprovação; não há competição, e sim cumplicidade. Amar é estar disponível para compreender os desejos, as fraquezas, os anseios, as perdas, as conquistas, enfim, as potencialidades e os limites do ser amado. Mas, acima de tudo, nunca se esqueça de que a pessoa mais importante para você é você mesma e tem o direito (e o dever) de ser feliz.